Há muito não escrevo sobre a vida, mas muita coisa se
passou. Fui para Europa, depois para o continente africano, fiquei uns meses em
Brasília, retornei meu trabalho no interior do Amazonas, segui para Bolívia.
Tudo isso se somou e culminou na minha aprovação no vestibular de Medicina de
uma Instituição Pública, a Escola Superior de Ciências da Saúde, que possui o
único curso de Medicina ligado a uma Secretaria de saúde. O curso em questão é
a menina dos olhos do Ministério da Saúde e possui uma metodologia inovadora, sendo considerado o quarto melhor curso do país pelo ENADE.
Segundo a Instituição, "o currículo é centrado no estudante, orientado à
comunidade e utiliza metodologias ativas de ensino-aprendizagem, sempre com
base em orientações pedagógicas advindas do construtivismo”. Seu método de
ensino-aprendizagem está baseado em:
- Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)
- Aprendizagem Baseada em Pequenos Grupos
- Aprendizagem Auto-Dirigida
- Aprendizagem Orientada à Comunidade
- Capacitação em Habilidades e Atitudes
- Iniciação Científica em Medicina
Confesso que a metodologia é muito boa, com uma mescla de teoria e prática que
coloca o aluno dentro do Sistema de Saúde desde o ínicio de sua formação acadêmica.
Qualquer aluno que sai dessa metodologia pode entrar em um projeto científico,
já que que o aluno que necessita correr atrás das fontes de pesquisas e debater
constantemente, preceitos bem explicados pela metodologia da problematização
com o Arco de Maguerez, influenciado por Paulo Freire. O aluno aprende a ser mais humanizado, mais crítico, mais independente.
Conforme eu
avançar no curso, relatarei minhas experiências dentro desse sonho. Deixo aqui o
registro da minha felicidade. Uma estudante de escola pública, de uma mãe
nascida na linha da pobreza do interior do nordeste. Eu, filha de um pai negro,
que nasceu em 1911, anos após o fim do regime de escravatura, órfão. Considero uma vitória.
